AS PLANTAS TÊM VIDA PRÓPRIA (Segunda e última parte)
Por: Meishu-Sama
Eu mesmo vivifico flores em todos os cômodos de minha casa; entretanto, ainda que um ou outro arranjo não esteja do meu total agrado, deixo-o da forma como ficou. No dia seguinte, noto que, diferentemente do dia anterior, as flores se acomodaram em uma boa posição, como se tivessem vontade própria.
Vivifico as flores da maneira mais natural possível, sem forçar sua natureza de forma alguma, para que elas possam, cheias de vida, durar por mais tempo. Quando mexemos nelas demasiadamente, morrem logo, o que não é nada interessante. Assim, quando vamos vivificar, em primeiro lugar, devemos traçar na mente a composição final do arranjo, para depois cortar e fixar as flores com rapidez. Isso porque, assim como outros seres vivos, quanto mais mexermos, mais elas enfraquecerão.
Essa lógica também se aplica ao ser humano. Na criação dos filhos, quanto mais os pais, preocupados, procuram cuidar excessivamente deles em todos os aspectos, mais fracos eles se tornam.
Por vivificar as flores à minha maneira, os arranjos duram mais que o dobro do normal, o que deixa as pessoas realmente surpresas.
Por exemplo, em geral, não se usam bambu e bordo nos arranjos, certamente porque acham que estes não vivem muito tempo; mas eu gosto de utilizá-los. Eles sempre duram de três a cinco dias; às vezes, o bambu leva mais de uma semana, e o bordo, cerca de duas. Além disso, qualquer que seja a flor, evito cortá-la, deixando-a como está.
No entanto, geralmente os professores de arranjos florais despendem vários esforços para a flor obter maior duração; mas isso é muito engraçado, pois estas acabam durando ainda menos.
Por Meishu-Sama – Coletânea Alicerce do Paraíso, vol. 5
Publicado em 5 de agosto de 1953