Escritos Divinos

Ensinamento do dia

A DEFASAGEM DO ESTUDO (Primeira parte)

Em se tratando de estudo, existe o estudo vivo e o estudo morto.

Pode parecer estranho, mas vou explicar de forma mais clara.

Estudar por estudar é estudo morto, enquanto que estudar para aplicar na vida real é estudo vivo. O estudo pela busca da Verdade, porém, é algo à parte e muito valioso. Vejamos, em primeiro lugar, o que é estudo.

Atualmente, em todos os níveis da educação escolar, os professores utilizam os livros didáticos como dimensão vertical, e a prática, como dimensão horizontal. Esse método de ensino assumiu a configuração atual a partir do resultado de grandes esforços e contínuos melhoramentos realizados por muitos eruditos.

Logicamente, novas descobertas e teorias surgiram e desapareceram, foram apresentadas e depois descartadas, preservando-se apenas o que havia de valor nelas.

Aquilo que, em outra época, era considerado Verdade e respeitado como regra de ouro foi desaparecendo sem deixar nenhum vestígio, à medida que apareciam novas teorias e descobertas que o superavam.

Existem, contudo, aquelas que se mantêm vivas e continuam sendo úteis à sociedade. Tudo é definido pelo tempo.

Por esse motivo, embora tenhamos plena certeza de que hoje uma teoria seja absolutamente verdadeira, inalterável e eterna, não podemos saber quando aparecerá outra que a suplante nem quem o fará.

No entanto, quando aparecem novas descobertas, é natural que elas não se encaixem nos moldes das teorias tradicionais; quanto menos se ajustarem, maior será seu valor.

Resumindo, é uma quebra de paradigmas, e quanto maior for esse impacto, maior será o seu valor. Desse modo, se aquilo que pensávamos ser Verdade cair no esquecimento, é porque surgiu outra Verdade superior àquela. É dessa forma que se processa o contínuo desenvolvimento da cultura.

Analisemos mais profundamente. Através dos anos, o ensino tradicional se estruturou até atingir o que, em tese, seria uma forma organizada. Contudo, o rápido avanço da cultura se distancia dessa forma estática com uma velocidade surpreendente.

Um dia desses, ouvi do presidente de uma grande empresa o seguinte comentário: "Mesmo que seja muito inteligente, alguém que concluiu a universidade há mais de dez anos, hoje, muitas vezes, não consegue lidar com questões práticas [...]."

Essas palavras vêm ao encontro daquilo que eu explanava: como as teorias têm como base a época em que foram criadas, se não acompanharem o progresso da cultura, desaparecerão ao longo do tempo.

Por Meishu-Sama - Alicerce do Paraíso, vol. 1

Publicado em 30 de janeiro de 1950

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