AS FLORES TÊM VIDA PRÓPRIA (Segunda parte)
Por: Meishu-Sama
[...] As vivificações que mais aprecio normalmente são as que faço em um ou dois minutos.
Antes de lidar com as flores, escolho o vaso. Observo a combinação do vaso com as flores, corto no tamanho adequado e vivifico rapidamente. Não se alcança essa destreza no início, mas quando fazemos com essa intenção, conseguimos bons arranjos florais.
Os que são feitos dessa maneira são excelentes. Por ser um método que respeita a natureza, as flores permanecem vivas.
Projetarei em slides as que foram vivificadas dessa forma. Assim, todos poderão entender que, realmente, este constitui o melhor método, bem como um meio de esclarecimento e concretização da Verdade.
Tenho por princípio pesquisar a fundo todas as coisas pelas quais me interesso.
Observando bem as vivificações depois de prontas, há vezes em que sinto que não estão boas ou que algum galho está inadequado. Entretanto, deixando-as assim por uma noite ou algumas horas, elas acabam se adequando naturalmente.
Creio que isso não se verifica com as manuseadas em excesso. Uma vez que as flores têm vida própria, elas mesmas se ajeitam. Quando mexemos muito nelas, perdem essa característica.
Por elas estarem vivas, é muito interessante ver essa adaptação, o que não se restringe às flores. Com as árvores, isso também é impressionante. Todas as árvores do jardim de Hakone são podadas por mim e, mesmo quando as corto demais ou deixo de fazê-lo, com o tempo elas próprias se acomodam.
A depender do local, há vezes em que a frente da árvore não pode ser vista por haver uma rocha ou algo do gênero. Nesses casos, se ela é olhada de lado ou por outro ângulo, sua aparência não fica boa.
Depois, sem notarmos, ela se ajusta por si só, de forma a assumir uma aparência melhor. Isso é muito interessante: as plantas verdadeiramente têm vida própria.
No caso do pinheiro, não é bom cortar a ponta do galho que fica no topo. Aliás, no Hekiun-so, cortei o galho e fiquei pensando no que o pinheiro iria fazer. Os outros galhos encobriram aquele corte de modo que ele não aparecesse. [...]
Por Meishu-Sama – O Caminho da Flor
Publicado em 15 de abril de 1953