AS FLORES TÊM VIDA PRÓPRIA (Primeira parte)
Por: Meishu-Sama
O que direi a seguir, não se refere à religião. Gosto muito de vivificar as flores e sou eu quem sempre faz os arranjos florais dos cômodos de casa. Sendo assim, toda vez que o professor de cerimônia de chá vem ensinar esta arte à minha esposa e aos dedicantes, preparo as flores para a sala de chá.
Minha maneira é, acima de tudo, natural. Nos arranjos atuais, especialmente nos últimos tempos, as pessoas fazem coisas estranhas, como tingir as flores. Talvez isso seja devido a alguma influência de Picasso e outros pintores.
Essa tendência, até agora, não está em moda, mas parece que logo ficará. Creio, porém, que será passageira. Talvez seja exagero afirmar [que o que estou fazendo] é uma revolução e desejo divulgá-lo de forma inovadora. Por esse motivo, pretendo fotografar as vivificações.
Anteontem, pela primeira vez, solicitei que tirassem fotos coloridas de umas dez composições. Pretendo expô-las em forma de slides por todo o país, nas unidades da Igreja. Além disso, vivifico as flores com rapidez. Fiz dez ikebana em cerca de uma hora e meia. Nesse ínterim, saí para procurar e colher o material no jardim.
Como regra geral, faço uma ikebana em até cinco minutos – quanto mais rápido, mais adequado. Assim, a flor mantém-se viva. Pensa-se que, quanto mais se mexe na flor, melhor ela se apresenta, mas não é verdade. Isso é o mesmo que aplicar adubos nas plantações, é negligenciar a natureza. [...]
Por Meishu-Sama – O Caminho da Flor
Publicado em 15 de abril de 1953