"Aprendi que sempre existe algo bom dentro de cada pessoa e que nunca podemos julgar alguém apenas pelo que vemos."
ALICE THALITA PEREIRA - JC PINHAIS - PR
Bom-dia.
Tenho 11 anos e recebi o Shoko aos cinco.
Do primeiro ao quinto ano, estudei em um colégio de tempo integral, com os mesmos amigos. Minha turma sempre foi uma das melhores da escola, mas no ano passado foi um pouco diferente.
Entramos no quinto ano e passou a haver bullying e muita bagunça em sala. Já na primeira semana de aula, tínhamos levado duas advertências.
Uma das minhas amigas era um pouco tímida, falava pouquinho. Então, o pessoal aproveitava para zoar com ela. Eu não gostava daquele ambiente, nem um pouco.
Eu tentava ajudar, mas não conseguia, porque eram sete contra um. Eu, defendendo, e os outros sete colegas, perturbando.
Até que um dia, eu virei o alvo da implicância da turma. Eles me chamaram de feia e todos ficaram contra mim. Até alguns amigos, por causa da influência do grupinho do bullying, agiram assim.
Naquele dia, cheguei em casa chorando e contei à minha mãe tudo o que aconteceu na escola. Ela me ministrou Johrei, me acalmou e disse: “Filha, vamos olhar o lado bom dessa situação. Como você pode ajudar a transformar sua turma?”
Minha mãe me fez pensar também sobre o que estava causando esse comportamento nos colegas. Como era o convívio deles na família? Será que eles passavam algum problema em casa?
Assim, passamos a fazer oração no Altar do Lar por meus colegas de turma. Eu passei a ministrar Johrei para alguns amigos e, de longe, para algumas pessoas do grupinho do bullying.
Uma de minhas amigas tinha crises de ansiedade por causa da turma. Como a gente estudava em tempo integral, eu cheguei a ministrar Johrei para ela três vezes em um dia.
Uma vez ela foi levada para a secretaria. Ela não estava se sentindo bem e pediu ao assistente de aluno para me chamar porque ao meu lado conseguia se acalmar e se sentir bem.
Depois de dois meses recebendo Johrei comigo, ela melhorou bastante e não teve mais as crises de ansiedade.
Mas o bullying no colégio ainda não tinha acabado. Eram agressões psicológicas e até mesmo físicas. Eu percebi que havia uma menina que era meio que a líder daquele grupinho.
Então, eu conversei com a responsável do Criançarte e ela me deu uma tarefa: escrever qualidades dos colegas de turma em um caderno.
Comecei essa prática no dia 19 de maio, já durante a preparação para o Culto do Paraíso Terrestre.
Na sala, eu me sentava atrás da menina que era a líder do grupo e, de vez em quando, sem que soubesse, eu ministrava Johrei.
Eu lembro que, no início, para ser bem sincera, era muito difícil achar qualidades em algumas pessoas, porque elas tinham comportamentos que me incomodavam. Mas eu sempre pedia ajuda a Deus e a Meishu-Sama para enxergar o lado bom.
Como fui observando e escrevendo qualidades, me aproximei bastante da colega que sentava a minha frente. Minha mãe falou que, ao longo da prática, até minha letra no caderno ficou mais bonita.
Com pouco tempo, seu comportamento e o da turma foram mudando. Os colegas ficaram mais calmos, passaram a respeitar os professores e uns aos outros.
Em julho, a turma já estava muito diferente, e os professores e a direção começaram a elogiar nosso comportamento.
Em dezembro, quando acabaram as aulas, a colega que era a líder do grupinho do bullying, veio à minha casa participar de festa do pijama e hoje somos grandes amigas.
Hoje, no sexto ano, estudamos em escolas diferentes, mas as festas do pijama na minha casa são o momento de nos encontrar e colocar o papo em dia.
Essa experiência me ensinou que a oração, o Johrei e a dedicação podem transformar as pessoas e os ambientes.
Aprendi que sempre existe algo bom dentro de cada pessoa e que nunca podemos julgar alguém apenas pelo que vemos.
Precisamos compreender o porquê de a pessoa agir daquele jeito.
Sou muito grata a Deus e a Meishu-Sama, bem como à minha mãe e à responsável do CriançArte por toda a orientação que recebi.
Muito obrigada.
