"Acredito que essa foi a dedicação que me deu forças para mudar meu destino."
MARILUCE SOUSA DE SANTANA REIS - JC IAPI - BA
Assunto:
- Paz
Bom-dia.
Na juventude vivi em um ambiente conturbado por constantes conflitos com minha mãe, em especial, por desaprovar sua conduta ao se separar de meu pai.
No ápice dessas discussões, com cerca de 17 anos de idade, saí de casa para viver com uma amiga.
Em 1986, aos 20 anos, fui mãe pela primeira vez. No entanto, o relacionamento dissolveu-se pouco depois, após infidelidade do esposo.
Nesse momento de profunda dor e escuridão, cheguei a morar por três dias na rua.
Então, Deus colocou o primeiro anjo em meu caminho.
Uma senhora, olhando-me nos olhos, disse: “Este não é seu ambiente, não é mesmo?”. Ela me permitiu viver momentaneamente em sua residência.
Depois, conseguiu-me um emprego e um quarto de pensão para que eu começasse a reconstruir a vida.
Casei-me novamente e nasceram dois filhos. Os conflitos conjugais continuavam sendo parte da rotina e, em 1990, pela mesma razão do primeiro casamento, vi-me separada com filhos pequenos. A caçula era ainda bebê.
Assim, teve início um período de sofrimento ainda maior. Sem moradia e renda para sustentar as crianças e sem o amparo de minha mãe ─ afinal, entre nós havia mágoas e ressentimentos ─, precisei entregar os filhos para serem criados por diferentes familiares.
Eu tinha apenas 24 anos, mas carregava um fardo muito grande de privação e tristeza.
Trabalhei arduamente durante cerca de dez anos, mas as dificuldades financeiras e de moradia eram constantes.
Em 2003, veio o segundo anjo. Uma amiga, sensibilizada com minha história, levou-me à Igreja Messiânica e afirmou que o Johrei poderia me salvar.
Nessa época, os filhos mais novos viviam comigo e, apesar das purificações por que passávamos, não agarrei essa corda de salvação.
No ano seguinte, novamente morando de favor, Deus enviou o terceiro anjo, .
Certo dia, a amiga que abrigou a mim e as crianças,que me perguntou se realmente eu desejava mudar de vida e me levou ao Johrei Center.(por gentileza confirmar se foi isso mesmo)
Comentei que já conhecia a igreja, que a havia frequentado por uma semana.
Então, ela proferiu uma frase que me transformou o pensamento: "Você quer resolver os problemas de uma vida inteira em apenas uma semana? Uma casa que passou anos acumulando sujeira, não pode ser limpa em um único dia."
Suas palavras me tocaram profundamente.
Comecei a frequentar a unidade religiosa todos os dias para receber Johrei, dedicar na limpeza e estudar os Ensinamentos.
Após oito meses, fui orientada a receber o Ohikari. Desejava oferecer um donativo especial, mas não possuía recursos financeiros.
Foi então que vivi uma experiência inesquecível.
Certo dia, estávamos na unidade, o ministro e eu, quando chegou uma senhora.
Após receber Johrei, ela perguntou-lhe se eu poderia igualmente canalizar a Luz Divina.
Quando soube que eu ainda não havia recebido o Ohikari, preparou um cheque e ofertou um donativo para que o valor fosse destinado à gratidão pela minha outorga.
Fiquei profundamente emocionada. Não nos conhecíamos. Era sua primeira vez na igreja.
Mais uma vez, percebi a atuação do Mundo Espiritual conduzindo minha vida.
Em 30 de outubro de 2005, recebemos juntas a Medalha da Luz Divina.
A partir desse momento, iniciei uma nova etapa. Passei a dedicar intensamente, ministrando Johrei e cuidando de pessoas.
Vivi experiências que aprofundaram a convicção nos Ensinamentos e práticas messiânicas.
Uma delas foi a reconciliação com minha mãe. Em 2010, ela enfrentava problemas cardíacos, e a ministra me orientou a prestar-lhe assistência.
Passados alguns dias, sugeriu: “Leve a ficha de outorga e fale com sua mãe sobre o Ohikari”.
Intimamente me questionei, pois ela tinha outra religião, mas segui a orientação.
Em 18 de dezembro de 2010, dia de sua outorga, entre lágrimas, abraçada a mim, minha mãe repetiu diversas vezes: “Esse foi o maior presente que você me deu. Você já viu quanta Luz tem no altar”?
Eu nunca me esqueço do calor daquele abraço. Ele marcou nossa reconciliação.
Em 2012, tive a felicidade de casar-me novamente. O esposo, também messiânico, me apoiava muito na missão.
Em 2014, contudo, ele retornou ao Mundo Espiritual.
Nos anos seguintes, apesar de manter a fé no Johrei, não encontrava forças para dedicar como antes.
Até que certo dia, em 2021, ao chegar a casa, pedi a Deus um sinal.
Pouco depois, um homem bateu à porta, solicitando dinheiro. Pedi-lhe que me oferecesse algo e ele respondeu: “Mas eu não tenho nada”.
Retruquei: “Quero cinco minutos do seu tempo”, e ministrei-lhe Johrei.
Quando perguntei seu nome, senti ser aquela a resposta que pedira a Deus. Ele tinha o mesmo nome de meu filho.
Compreendi que, dedicando na Obra Divina, ainda havia muito por fazer pela elevação espiritual de minha família e das pessoas que, por afinidade, chegassem a mim necessitando de Luz.
No dia seguinte, fui ao Johrei Center e reassumi a missão como assistente de ministro.
Em fevereiro de 2025, prestei o exame de qualificação sacerdotal.
Desde o ingresso na fé até a missão como ministra assistente, pude encaminhar cerca de 187 [GR1.1]pessoas ao recebimento do Ohikari.
Acredito que essa foi a dedicação que me deu forças para mudar meu destino.
Este ano, com a nova missão, vieram desafios e graças.
Em março, foram concluídas a ação judicial referente a descontos indevidos da pensão do esposo, bem como a venda de um imóvel, herança dos pais, que se arrastava há cerca de dois anos.
Atualmente, dedico como ministra responsável pela unidade onde fui formada na fé.
Conhecer Meishu-Sama transformou-me como ser humano. Portanto, por maior que seja a dedicação, esta ainda será insuficiente diante de minha gratidão.
Comprometo-me a continuar servindo para que histórias como a minha sejam escritas por outras famílias.
Muito obrigada.