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Capital da Agricultura Natural, Ipeúna proíbe pulverização de defensivos agrícolas em lavouras da cidade

Ana Basile - fevereiro, 2018
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Desde que foi declarada a capital da Agricultura Natural, em 23 de dezembro de 2015, pelo então prefeito da cidade, o município de Ipeúna, em parceria com a Igreja Messiânica, a Korin Agropecuária e o Centro de Pesquisa Mokiti Okada – CPMO, vem desenvolvendo ações para a implantação e expansão do método produtivo preconizado por Meishu-Sama no início do século XX e que é seguido pelas instituições messiânicas na cidade desde 1994.

Dentre as atividades já implementadas, estão o ensino e a prática de horta caseira nas escolas municipais, além de feiras orgânicas livres e a comemoração do dia da Agricultura Natural, celebrado na cidade todo dia 5 de maio.

A mais recente conquista é a promulgação do Projeto de Lei Municipal nº 83/2017, que proíbe o uso de agrotóxicos e outros defensivos agrícolas por meio de aplicação aérea (pulverização) nas lavouras de Ipeúna, sancionado no dia 5 de dezembro de 2017, selando uma nova fase da produção de alimentos na região, que é considerada a capital brasileira da Agricultura Natural.

De acordo com a lei, de autoria do vereador Diego Heron Pinheiro e aprovada por unanimidade na Câmara Municipal, fica vetada a prática de pulverização aérea de defensivos agrícolas nos limites do município, sendo seu descumprimento passivo de penalizações, tais como o pagamento de multas.

Segundo o vereador Heron, a base para a proposta foram estudos científicos recentes que apontaram a ineficácia da pulverização de defensivos agrícolas nas lavouras no combate a pragas e seu risco ao meio ambiente, aos consumidores e aos produtores. “Sabe-se hoje que menos de 1% das plantas são, efetivamente, atingidas pela pulverização aérea e que o defensivo se espalha de forma incontrolável ao sabor das correntes de ar, podendo chegar a até 32 km de distância do local de pulverização”, explicou antes da votação na Câmara. O ponto-chave para que Diego Heron iniciasse suas pesquisas foi o fato de a cidade ser a capital da Agricultura Natural e, por isso, ter a missão de incentivar o cultivo de produtos orgânicos.

Para ele, os danos da pulverização aérea vão muito além das plantas e do solo, atingindo também outras espécies. “O dano ao meio ambiente é devastador para a própria agricultura comercial, pois a pulverização aérea mata abelhas e borboletas, que são imprescindíveis para a polinização de diversas culturas. Estima-se que cerca de 40% das culturas produzidas pelo ser humano depende desses insetos. Sem esquecer que a pulverização aérea é responsável pela mortandade de diversos pássaros e animais de pequeno porte”, enfatiza. “Vale ressaltar que o desequilíbrio ambiental ocasionado pelos insumos químicos também leva ao surgimento de novas pragas e, assim, insetos ou plantas, que antes não provocavam danos às lavouras, passam a se comportar como invasoras e a atacar as plantações”, finaliza o vereador.

A Korin possui um papel muito importante para a economia da cidade. Maior empregadora do município, a empresa vem aumentando sua importância dentro do mercado de orgânicos e ampliando seu leque de produtos. Por sua vez, o CPMO se dedica no desenvolvimento de novas tecnologias para a Agricultura Natural, obtendo muitos resultados positivos, tais quais o desenvolvimento de insumos biológicos e sementes livres de transgênicos.

A promulgação da lei antipulverização de defensivos nas lavouras de Ipeúna vem para incentivar o não uso dessas substâncias, dadas as graves consequências à saúde do produtor, do consumidor e do meio ambiente, e consolidar a prática da Agricultura Natural no município.

“Este foi um passo importantíssimo que a Câmara dos Vereadores de Ipeúna deu para ampliar as ações da Capital da Agricultura Natural. Nós, da Comissão de Implantação e Fomento de Ipeúna como Capital da Agricultura Natural, só podemos parabenizar a cidade e aos parlamentares que estão realmente comprometidos com a saúde e o bem-estar de seus munícipes. Um fantástico exemplo para todo o Brasil”, pontua o ministro da IMMB, diretor industrial da Korin e coordenador-geral do CPMO, Dr. Luiz Carlos Demattê Filho, que participou do ato solene. “Tais iniciativas estão em sintonia com a presença da Korin e do CPMO no município e a atuação das instituições foi constantemente destacada pelos vereadores, por meio de seus discursos”, complementa a gerente da qualidade e food safety da Korin, Cecília Ifuki Mendes, que representou a Korin na ocasião.

Texto: Fernanda Silvestre

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