Ensinamento do Mês

As três calamidades maiores e as três calamidades menores

Igreja Messiânica Mundial do Brasil - maio, 2018

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No Japão, desde eras remotas, ouve-se falar das “três calamidades maiores” causadas pelo vento, água e fogo, e das “três calamidades menores”, que são a fome, a doença e a guerra. Vou explicar o significado fundamental dessas calamidades[1].

As tempestades e as inundações são ações purificadoras do espaço entre o céu e a Terra. E por que elas ocorrem? Porque, no Mundo Espiritual, se acumulam nuvens espirituais, ou seja, impurezas invisíveis. Dissipá-las pela força do vento e lavá-las com a água da chuva é a finalidade da tempestade. Sendo assim, o que são essas nuvens espirituais e de que forma se acumulam?

As nuvens espirituais se formam a partir do sonen[2] (do pensamento) e do espírito das palavras[3] do ser humano. Em outros termos, o sonen que pertence ao mal, como insatisfação, ódio, insulto, inveja, ira, mentira, desejo de vingança, apego etc., nublam o Mundo Espiritual.

Vejamos, agora, as palavras. As queixas em relação à Natureza, como por exemplo, o mau tempo, o clima e a safra ruim; críticas e ataques verbais às pessoas; gritos e vaias; fofocas e intrigas; repreensões, lamúria e outras expressões desse tipo têm origem no mal e nublam o Mundo do Espírito das Palavras, que se posiciona logo após o Mundo do Sonen. Quando a quantidade acumulada desses diversos tipos de nuvens espirituais ultrapassa certo limite, surge um tipo de toxina que causa distúrbio à vida humana. Por esse motivo, ocorre a purificação natural. Esta é a lei do Céu e da Terra.[…]

Todos sabem que da mesma forma das catástrofes provocadas por elementos da Natureza, as calamidades causadas por influência do ser humano também são terríveis. Principalmente a guerra, que é a que traz maiores danos aos homens. Vou apresentar uma tese inusitada sobre as causas da guerra. Por ela ser surpreendente, gostaria que os leitores a lessem com toda a atenção.

A guerra é, evidentemente, uma luta coletiva e, até hoje, a humanidade tem demonstrado mais propensão ao conflito do que à paz. […] em qualquer agrupamento de indivíduos, sempre há lutas ininterruptas nos bastidores, e as pessoas vivem se criticando e se discriminando. […] Observa-se assim o quanto o conflito está presente na vida humana. Vou explicar o motivo da natureza belicosa do ser humano.

As pessoas possuem toxinas de diferentes tipos, sejam elas congênitas ou adquiridas. É comum dizer que essas toxinas se concentram nos locais em que os nervos são mais ativos. […] As toxinas acumuladas, com o passar do tempo, vão-se transformando em nódulos e, quando esse processo atinge certo estágio, surge a ação contrária, isto é, a dissolução e a eliminação que nós chamamos de ação purificadora. Nessa ocasião, a febre surge infalivelmente, para dissolver o nódulo e torná-lo líquido e, assim, facilitar a eliminação das toxinas. Essa purificação natural é a gripe; e as excreções como escarro, coriza, suor etc. demonstram isso.

Por outro lado, a maioria das pessoas, apesar de aparentar estar em condições normais, encontra-se sob a ação purificadora de um constante resfriado extremamente leve. Por ser essa purificação praticamente imperceptível, as pessoas se sentem saudáveis. Entretanto, elas não sabem o que é ser verdadeiramente são. Isto porque, caso se submetam a um exame minucioso, será constatada, infalivelmente, a existência de uma febre branda em toda a cabeça, estendendo-se aos ombros. […] Devido a isso, sempre apresenta certa indisposição, a qual constitui um problema, pois provoca a ira, que resulta em conflito, o qual culmina em guerra. Assim, não há outro meio de extinguir a natureza belicosa do ser humano, a não ser o de eliminar a indisposição. Eis por que, numa mesma situação, se a pessoa está bem-disposta, ela nem se incomoda ao ouvir coisas desagradáveis; mas, se ela está indisposta, não consegue conter a ira. Creio que a maioria já passou por essa experiência.

[…] Como vimos, a causa fundamental do conflito é a indisposição ocasionada pela febre purificadora das toxinas da cabeça bem como da região do pescoço e dos ombros. Por conseguinte, o único meio para acabar com o conflito é curar por completo essa indisposição. Então, não será exagero afirmar que, no mundo inteiro, o Johrei da nossa religião é o único, inigualável e radical método de eliminação do conflito. Isso não se limita à guerra, pois todos os problemas que hoje constituem motivo de sofrimento, como ideologias destrutivas, conflitos entre as classes sociais etc., também se originam da insatisfação e das queixas provenientes da indisposição das pessoas. Muitos, para fugirem dela, inconscientemente procuram estímulos fortes, e isso resulta em consumo excessivo de bebida alcoólica, em luxúria, em preguiça, em brigas e outros, que fatalmente acabam ocasionando crimes.

[…] Consequentemente, para se estabelecer a paz eterna sobre a Terra, antes de mais nada, deve-se erradicar a indisposição e aumentar o vigor e a disposição de cada indivíduo. Não há dúvida de que, assim, o ser humano abominará o conflito e amará a paz. […]

Por Meishu-Sama em 13 de agosto de 1949 – Extraído do Livro Alicerce do Paraíso, vol. 2 – trechos

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[1] Três calamidades maiores e três calamidades menores: São duas expressões que têm origem no budismo.

[2] Sonen: Palavra japonesa comumente traduzida como “pensamento”, a qual não se limita ao ato de pensar racionalmente. Seu significado abrange o sentimento, a vontade e a razão.

[3] Espírito das palavras: Em japonês, kototama ou guenrei. Refere-se à energia espiritual contida em cada palavra proferida pelo ser humano, que poder ser benigna ou maligna.