Experiência de Fé do Culto

Alice Conrado de Souza – Abril 2018

Igreja Messiânica Mundial do Brasil - abril, 2018

Culto Mensal de Agradecimento
Solo Sagrado de Guarapiranga
1º de abril de 2018

Bom-dia a todos!

Meu nome é Alice Conrado de Souza, tenho 23 anos.

Sou messiânica há três anos e dedico no Johrei Center Aracaju, ligado à igreja Garcia.

Gostaria de relatar como as dedicações me ajudaram a mudar meus sentimentos em relação à minha mãe e, assim, solucionar um conflito que já durava anos.

Sempre tive um relacionamento muito conturbado com minha mãe. Nossas diferenças de opiniões eram evidentes. Eu pensava ter razão em tudo que fazia e baseada no meu ponto de vista sobre o que é certo e errado, julgava minha mãe e desaprovava muitas de suas condutas. Me irritava com o seu jeito de encarar a vida, que eu considerava passivo e indolente.

Não aceitava sua opinião sobre minhas decisões e sempre procurava contraria-la. Achava que ela queria me superproteger e controlar minha vida e por isso a tratava mal, respondendo, brigando e desacatando sua autoridade. As vezes me arrependia de certas atitudes, mesmo assim, não conseguia mudar e voltava a praticá-las.

Me tomava por uma pessoa equilibrada e serena, mas agia de modo arrogante com minha mãe e não percebia o quanto isso a magoava.

Quando fiz 18 anos meus pais se separaram e resolvi morar com meu pai. Acreditava que estando mais distante, eu iria conseguir tratar melhor minha mãe e melhorar meu relacionamento com ela, pois não teria que conviver diariamente com suas falhas que tanto me incomodavam.

No entanto, esse distanciamento piorou a situação, pois minha mãe entrou em depressão e sua postura diante da vida, que eu julgava apática, evoluiu para um quadro de total dependência e resignação.

Eu a visitava e telefonava esporadicamente e por mera obrigação de filha, mas não conseguia ficar muito tempo perto dela, pois me sentia sufocada e irritada com seu jeito. Meu respeito e admiração por ela reduziu-se a quase zero.

Era realmente uma situação muito desagradável, pois ela era minha mãe, e mesmo assim, não conseguia desenvolver amor e gratidão por ela.

Esse quadro de desequilíbrio e falta de ordem se refletiu negativamente em minha vida de um modo geral.

Tinha dificuldade de me relacionar direito com as pessoas e não conseguia engrenar em um relacionamento amoroso duradouro, pois era muito insegura e manifestava características egoístas fortes, não me importando muito com o bem-estar e sentimento dos outros.

Em meio a esse quadro, em uma entrevista com o Ministro responsável, ele orientou que eu deveria me desapegar de meus próprios problemas e me empenhar em ajudar outras pessoas a superar seus sofrimentos e para isso, me outorgou a missão de dedicar no acompanhamento de frequentadores.

Confesso que fiquei apreensiva ao receber essa tarefa, pois era pouco comunicativa, tinha muita vergonha de me aproximar de pessoas novas e me expressar, mas entendendo que aquilo seria para o meu crescimento, aceitei o desafio.

Logo na primeira dedicação, tive a permissão de começar a acompanhar uma senhora que tinha um jeito que lembrava bastante a minha mãe e que passava por problemas de relacionamento com seu filho.

Tentava dar meu máximo em escutá-la com paciência e amor. Ligava quase todos os dias para ela e conversávamos por longos períodos ao telefone.

Sempre buscando a ajuda do ministro para as orientações.

Ao fim, ela acabou tornando-se membro da Igreja e está buscando superar seus problemas com o filho.

Outro acompanhamento que também me chamou a atenção, foi o de uma jovem da mesma idade que eu e que passava por uma forte depressão e síndrome do pânico.

Com ela aprendi que primeiramente precisava respeitar as fraquezas das pessoas para ajuda-las a ultrapassar seus sofrimentos.

Essa jovem conseguiu superar a depressão, tornou-se messiânica e hoje está presente aqui no Solo Sagrado.

Acompanhei muitas outras pessoas que também viviam suas purificações e conflitos pessoais, com isso, comecei a compreender um pouco mais os sentimentos e pensamentos de minha mãe.

Dando atenção e carinho às pessoas que acompanhava, passei a ser menos egoísta e a me aproximar com mais facilidade das pessoas, pois não me sentia mais tão insegura.

O que mais me marcou com essa dedicação foi perceber o quanto eu tratava minha mãe com indiferença e achava que o problema todo estava nela.

Comecei a enxergar as atitudes dela de uma maneira diferente. O que antes eu julgava como controle e superproteção, passei a entender como sendo seu amor ao tentar cuidar de mim e querer o meu melhor.

Comecei a sentir muita gratidão por ela e depois de muito tempo, passei realmente a amar minha mãe.

Dessa forma decidi visita-la com mais frequência e passei a fazê-lo quase todos os dias.

Nessas visitas ministrava-lhe Johrei e buscava ouvi-la e entender suas necessidades. Fomos nos aproximando cada vez mais e nos tornando mais amigas.

A mudança na minha mãe também se tornou nítida.

Voltou a realizar suas atividades físicas, e a procurar preencher o vazio que sentia com coisas que lhes davam prazer. Certo dia relatou-me: “Sabe filha, estou me sentindo tão bem, aquela tristeza toda que sentia desapareceu!”

Fiquei muito feliz em ouvir suas palavras, pois senti a atuação de Deus na vida de minha mãe.

Vendo todas essas mudanças, mas entendendo que ela ainda inspirava cuidados, resolvi me mudar novamente para a casa dela.

Voltando a morar com minha mãe, percebi que seu jeito de ser e de levar a vida não haviam mudado. Ela continuava com o mesmo jeito passivo de enfrentar as dificuldades e tentava controlar minhas decisões.

Algumas vezes isso ainda me causava uma certa angustia, mas conseguia contornar a situação sem magoá-la. Pois neste momento, o que mais importava para mim não era a satisfação do meu ego, mas sim, deixa-la bem e feliz.

Certo dia o ministro veio me perguntar como andava o convívio com minha mãe e respondi que havia melhorado muito, mas ainda estava aprimorando um pouquinho e tentando mudar meu sentimento a cada dia.

Então ele falou: “Sabe, Alice, o mais importante no relacionamento não é a perfeição, são as pessoas buscarem viver com as diferenças um do outro e crescerem juntos, porque ela também terá que aprimorar com seu jeito, assim como você aprimora com o dela.”

Foi muito importante ouvir isso, pois entendi que no fundo no fundo, durante muito tempo eu queria que ela fosse a mãe perfeita, que não reclamasse da vida, que não opinasse nas minhas decisões. Queria que ela melhorasse em cada detalhe, como se fosse possível mudar da água para o vinho.

Entendi que deveria gostar dela do jeito que ela é e não tentar moldá-la para que ficasse exatamente ao meu agrado.

Mas principalmente, aprendi que deveria ter gratidão, pois foi ela quem me deu a vida e de quem herdei meus defeitos e qualidades.

Hoje eu e minha mãe somos muito unidas e meu amor e carinho por ela estão cada vez mais vivos.

Nos tornamos verdadeiras amigas e, às vezes até fico triste quando chego em casa e ela não está.

Sei que ainda preciso melhorar muito, mas sinto que consegui evoluir como pessoa, me tornando mais segura e menos egocêntrica.

Com isso consegui engrenar em um relacionamento saudável e fazer novas amizades sólidas e verdadeiras.

Sou muito grata a Deus e a Meishu-Sama pela permissão de vivenciar todas essas experiências, mudanças e aprendizados.

E especialmente pela permissão de estar aqui neste sagrado altar compartilhando minha experiência de vida com todos.

Muito obrigada.